13/11/06
O Pior pesadelo se torna realidade!
Chegamos em Curitiba, eu e o Rogério (meu marido) e quase não falávamos no assunto da doença, pra mim parecia que se a gente falasse ia virar realidade, mas já era real, só que eu não conseguia aceitar, ficava calada, fingindo que não acontecia nada! A Consulta já previamente marcada,foi no hospital mesmo (Pequeno Príncipe), no setor de hepatologia (doenças relacionadas ao fígado). Eles decidiram interná-lo para ser submetido a cirurgia de biópsia, mas como faltava 1 dia para o feriado de carnaval, ficou pra próxima semana, de certa forma foi bom, durante esses dias de “folga” aproveitamos pra passear em alguns dos pontos turísticos de Curitiba. Tiramos muitas fotos. Eu estava com um humor insuportável, tentava esquecer um pouco o motivo dá viagem, mas não conseguia, olhava para o rostinho do Arthur e isso me consumia, saber que ele seria internado, faria uma cirurgia, etc.o Rogério sempre me apoiando, dizia: “Calma, vai dar tudo certo, confie em Deus!” Eu não queria ouvir isso! Eu queria voltar pra minha vida normal!
Após o feriado então ele foi internado. Apesar de ser um hospital referência do sul do Brasil, bem nessa época não tinha poltronas para acompanhantes nos quartos. O quarto que ficamos tinha 4 leitos e todas as mães passavam as noites como eu, sentada em uma cadeira! No dia seguinte ele foi pra cirurgia, esperamos em frente o centro cirúrgico. Não lembro quanto tempo demorou, sei que uma médica saiu de lá e disse que teve uma complicação, deu hemorragia e que ele teve que tomar sangue, mas que estava tudo bem! Eu pedia à Deus em minhas orações que não fosse nada, só um tumor benigno, que fosse retirado e aí ficaria tudo bem ! Quando ele foi pro quarto fiquei assustada! Uma enfermeira chefe daquele setor me disse:” Esse rapazinho deu um susto na gente!” Aí pensei que a tal da hemorragia foi grave, mas parecia que eu estava em transe, não conseguia entrar na realidade. Ele estava chorão, com dor e com um curativo grande, não entendi porque a biópsia seriam só 2 pontinhos para a pinça que retira o pedacinho para análise, foi isso que me explicaram!
Foi bem difícil segurá-lo no berço, ele sentia dor, não queria comer nada, tinha medo, só queria colo e, como é difícil segurar uma criança operada, com dor e com o bracinho furado para tomar soro! Conforme a gente pegava ele tremia de dor e começava a chorar, banho então só de paninho!
Eu queria sair dali logo, ir pra casa ,dar bastante denguinho pro meu bebê, mas tínhamos que esperar o resultado da biópsia. Durante esse tempo de espera, comecei a entrar na realidade, 16h direto dentro do hospital, revezava com o Rogério, um dia ele posava, no outro eu, alguns cochilos na madrugada, mas nada de dormir, é impossível com diversas crianças chorando de dor, a que estava na cama do lado, se engasgava com a própria saliva, a maioria eram operados. Essa dura realidade me fez entender é trabalhar na idéia, ”MEU FILHO ESTÁ COM CÂNCER!”. Demorou uns 5 dias para o resultado.A médica residente veio, sem jeito, com medo de falar, só disse que o resultado era positivo, eu confirmei:” è malígno?”ela disse:”Sim, outra médica do setor de hematologia virá falar com você!”. Todas a mães do quarto estavam ansiosas para saber no que tinha dado o exame, e se decepcionaram quando souberam, eu por outro lado,não tinha idéia do que me esperava, então fiquei em silêncio, uma enfermeira até me disse:” Nossa, como você é forte!” Pensei: “Quem sou eu,forte?” A Médica oncologista veio nos ver e disse que o Arthur seria transferido para outra ala , da hematologia, que só estavam aguardando a vaga de um leito.Eu estava muito cansada, passava sentada quase todas as noites, preocupada, com medo do futuro, percebi que nada está em nossas mãos.No começo deste ano estava cheia de planos, ia começar a faculdade, estudar muito, trabalhar! Agora estava em um hospital, sem saber o que ia aconteceria no dia seguinte. “Meu Deus, me dê forças!”
Continua no próximo post!


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